Laboratório Social e Resiliência debate saúde mental infantojuvenil na AAFEC
No dia 18 de novembro, a AAFEC sediou mais uma edição do Laboratório Social e Resiliência, programa realizado em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). O encontro, último do ano, ocorreu de forma híbrida, presencialmente na sede da Associação e com transmissão ao vivo pelo YouTube da AAFEC.
O tema deste mês abordou uma realidade cada vez mais urgente para as famílias: a saúde mental de crianças e adolescentes. A pauta teve forte impacto entre os participantes, muitos deles pais e avós, gerando reflexão, acolhimento e alerta logo pela manhã.
Palestrantes convidadas
A edição teve como tema central “Além dos Sintomas: Saúde Mental Infantojuvenil e a Prática Pediátrica”, conduzida pela Psicóloga Hospitalar Elisabete Santos e pela Médica Pediatra Hévila Romana.
A presidente da AAFEC, Márcia Ximenes, realizou a abertura oficial, dando as boas-vindas às convidadas e reforçando a relevância do debate em tempos contemporâneos. Em seguida, a Dra. Marluce conduziu a continuidade do encontro.
Primeiro momento: saúde mental na adolescência
A psicóloga Elisabete Santos iniciou o diálogo apresentando dados alarmantes sobre a saúde mental dos jovens no Brasil. Segundo o IBGE, a taxa de depressão entre jovens de 18 a 21 anos subiu de 2,47% (2013) para 6,23% (2019), um crescimento que acende um alerta importante para famílias e educadores.
Além de números, Elisabete abordou possíveis causas desse cenário, como: ambientes familiares desestruturados, bullying crescente nas escolas, dificuldade de diálogo entre adultos e adolescentes, sobrecarga emocional diante das pressões contemporâneas.
A psicóloga também trouxe relatos reais de jovens presentes no livro “A Geração do Quarto”, de Hugo Monteiro Ferreira, permitindo que os participantes mergulhassem mais profundamente no universo emocional dessa geração. “Meu quarto me esconde do mundo… fico me sentindo mais forte. (...) Essa sou eu, uma diferente”, leu Elisabete, reforçando a força e a dor presente nos depoimentos.
Segundo momento: impactos das telas na infância
Na segunda parte do encontro, a pediatra Hévila Romana abordou a fase anterior à adolescência, discutindo a infância e sua relação com o uso precoce de telas. Muito além do senso comum, Hévila explicou que o uso descontrolado pode gerar: dificuldades de convivência, sinais de ansiedade, comportamentos compulsivos, impactos no desenvolvimento cognitivo e emocional.
Ela reforçou que o exemplo dos adultos é essencial: “Não basta impedir a criança de usar, se nós mesmos não conseguimos viver sem.”
Perguntas, relatos e reflexão coletiva
Ao final das falas, o espaço foi aberto para perguntas e relatos dos associados. A participante Sandra Santos, voluntária em um grupo de escoteiros, compartilhou sua experiência com famílias que enfrentam desafios para estimular os jovens a explorar o mundo além das telas: “Vejo muitas famílias pedindo socorro para ajudar seus filhos a saírem mais de casa e desbravarem mais o mundo.”
A Dra. Marluce agradeceu a presença de todos e deixou uma mensagem final de cuidado e atenção: “São novos tempos. Precisamos nos ater aos desafios desses novos tempos.”
