Em clima de “Alucinação”, EC&C Cariri homenageia Belchior

No dia 28 de maio (quarta-feira), nossos colegas da UFFEC realizaram mais uma edição do Entre Cantos e Contos Cariri, transmitida simultaneamente pelo YouTube da AAFEC, com a gravação já disponível para que os associados possam reviver os melhores momentos da noite. Neste mês, o destaque ficou para uma das Galerias da Fama mais especiais do ano: a homenagem ao lendário cantor cearense Belchior, abordando sua trajetória de vida e releituras musicais apresentadas pelos associados.


O evento teve início com Maristela, que agradeceu e deu as boas-vindas aos participantes, além de desejar melhoras a João Pedro, responsável habitual pela Galeria da Fama. Desta vez, Gilvan e Eva conduziram a primeira parte da programação. Eva apresentou um panorama da trajetória do poeta.


Antônio Carlos Belchior Fontenelle Fernandes, conhecido artisticamente como Belchior, nasceu em 26 de outubro de 1946, em Sobral, no Ceará. Cantor, compositor e poeta, tornou-se um dos maiores representantes da música popular brasileira. Filho de uma família numerosa, demonstrou desde cedo interesse pela literatura, filosofia e música. Chegou a iniciar os cursos de Medicina e Filosofia, mas abandonou a vida acadêmica para dedicar-se integralmente à carreira artística. Consagrou-se, ao lado de nomes como Fagner, Ednardo e Amelinha, no chamado “Pessoal do Ceará”, movimento de artistas cearenses que ganhou projeção nacional na década de 1970. Seu grande marco foi o lançamento do álbum “Alucinação” (1976), considerado um dos discos mais importantes da música brasileira. Suas composições ficaram conhecidas pelo forte conteúdo poético e pelas reflexões sobre juventude, identidade, política, existencialismo e os desafios da vida moderna.


Mesmo longe da mídia por um longo período, sua obra continuou influenciando gerações de músicos e admiradores — incluindo o público da UFFEC, que trouxe interpretações singulares de clássicos do artista. “Tudo Outra Vez”, “Como Nossos Pais”, “Apenas um Rapaz Latino-Americano” e “A Palo Seco” foram interpretadas por Gilvan. Durante a Galeria da Fama, também foi mencionado o afastamento do cantor da vida pública, motivado por uma série de questões pessoais. Encerrando o momento, Eva destacou Belchior como um dos maiores símbolos da cultura cearense e da música brasileira, dono de um legado artístico profundamente ligado à sensibilidade, à poesia e ao espírito inquieto de sua época.


A programação prosseguiu com novas apresentações dos associados. Anne interpretou “Esperando na Janela” (Cogumelo Plutão) e “Fico Assim Sem Você” (Claudinho & Buchecha). Em seguida, Miguel, aluno de Gilvan, apresentou “Aquarela”, de Vinicius de Moraes e Toquinho, além de “Asa Branca”, clássico da música nordestina composto por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Logo depois, Bento, irmão de Miguel, também emocionou o público com sua interpretação de “Aquarela”.


Na sequência, Maristela convidou Levi, neto de Matias (SEFAZ), para recitar a poesia “Mãe”, de Bráulio Bessa. Em seguida, Jeconias apresentou uma poesia em homenagem às mães e às mulheres, em alusão ao Dia das Mães, e aproveitou o momento para refletir sobre o feminicídio e a desvalorização da mulher na sociedade — tema que vem ganhando destaque nacional e regional diante do aumento dos casos de violência contra mulheres, proporcionando um importante momento de conscientização durante a noite. Dando continuidade às homenagens, Ana também dedicou versos às mães da associação.


Já na reta final do evento, Eva retomou a palavra para apresentar um livro que retrata a história da beata Maria de Araújo, compartilhando ainda um pouco de seus recentes trabalhos de contação de histórias sobre a infância da beata, antes de encantar o público com uma narrativa de sua própria autoria.


O evento foi encerrado por Maristela, que agradeceu a presença de todos os participantes e concluiu mais uma edição do Entre Cantos e Contos Cariri com emoção, arte e celebração da cultura.